A não vontade está a regressar e, mesmo que seja algo que carrego já à uns dois anos, continua estranho sentir tudo isto: não tenho vontade de acordar, de preparar mala e abalar para mais de uma hora de viagem para a faculdade. Às vezes não sei se é da distância ou da falta de horas de sono, mas acho sinceramente que o principal motivo é o apego à minha família, aquele retornar diário a uma vida que não controlo. A cada dia que passa, cansa-me não só não ter entrado no curso que queria como, principalmente, não escrever a história que quero pelas minhas próprias mãos: queria tanto viver sozinha, cozinhar sozinha, planear saídas sozinha, entendem? E sinto-me longe de tudo isso, a cada manhã acordada numa cama longe demais de tudo. Quem sabe um dia - só não sei com que plano. Queria-me longe daqui, numa volta de 180 graus, perto de mim, quem sabe perto do G., mas numa batalha só minha.
Adormeci. Ou melhor... não tive vontade de acordar. Perdi duas camionetas. Perdi duas aulas.
E a não vontade ataca diariamente.
E a não vontade ataca diariamente.












